quarta-feira, 28 de julho de 2010

PANOS PRA MANGA

Fiz essa foto várias vezes, com diversas máquinas, diversas asas,

diversos sóis e luas. Diversas marés.Essa é a última. Mas não foi a última.

A Casa.

Há-de o meu ser
Afeiçoar-se à Casa.
Como a pedra ao escultor,
A palavra ao poeta.
Nos silêncios,no escuro,
Nos sonos e nos sonhos,
Sugada pela casa,
Estarei presente em tudo.

Os recados de luz,
Os contos de Chopin,
Recolhem-me no espaço,
Adejam-me sem data.

Um murmúrio de amor
Saltita na penumbra
Das vozes juvenis.
Junto do toucador
Há uma tarde feliz.

Espreito as sombras na hora
Em que a Casa é deserta
Alguém deixou no Tempo
A grande porta aberta...

O mármore,a madeira,
As flores,a terra,a água,
O pássaro cantor e as lanternas
Da escada,
Houve um dia em que sim,
Nasceram e ficaram
Como quem abre a luz
Numa sala arrumada.

A Casa vê o Tejo.
Debruça-se à varanda,
Quer-me levar consigo...

Não sou fácil nem mansa.

De Natércia Freire



3 comentários:

aminhapele disse...

Acho que tens razão,querido amigo.
A Casa foi-se.
Mas Natércia Freire é uma das minhas preferidas.
Um abraço.

SONIA MARIA disse...

Acho que a gente nunca vai parar de falar sobre " a casa". Foi um ótimo tempo ( 20 anos) que nos divertimos muito ali. Que bom que as lembranças são boas. Agora, é tocar prá frente e, que todos saibam, Búzios continua ótimo, principalmente nessa época fora da temporada. Vale apena ir para uma pousada, comer um filé com batata rostie no Pacho e pastel de camarão e de siri com cerveja geladíssima assistindo o por do sol na peixaria. Não percam!

ecosteira disse...

Sonia, assim é covardia! No mais, podemos ler um livro que me acompanha desde o meu curso de mestrado. Trata-se de "Poética do Espaço" de Gaston Bachelard. Recomendo.