Cheguei ontem do Vale das Flores.Mais uma vez, aquela sensação de
"que qui eu tô fazênu aqui?!?!?"
Estava acordando com os passarinhos,
música natural, mixagem perfeita,
masterização supimpa, acústica paradisíaca,
ao ar livre. Com estacionamento grátis.
Uma pequena caminhada
e encontramos o sorriso da Rosinha
embrulhando o pão do dia, o queijo fresco,
a manteiga feita ontem.
O leite (pro comprimido matinal...)
é de caixinha mesmo,
mas nada de "desnatado" - que isso?
Todo dia o leite da região
é recolhido pelo "Caminhão do Leite",
que também se encarrega
de transportar pequenos favores
pro pessoal do Vale das Flores.
Cada vez menos, é verdade.
Tá quase todo mundo
meio motociclado ou com
suas caminhonetes e fuscas experientes
nos caminhos de lá.
A cooperativa compra por um preço irrisório,
abaixo do custo de produção,
conforme todos os produtores do Vale.
Não vale a pena mas continuam produzindo.
Adoram vacas e seus familiares:
os campos de pastos
estavam qualhados de bezerrinhos!
Andando mais, na direção do Alcantilado,
a orquestra do Rio das Flores,
com seu naipe de pedras afinando as águas
ou deixando rolar a grande festa da Natureza.
Solos borboleteando de todas as cores.
Ficamos tão absorvidos pela beleza
das cores - o verde das montanhas
com o azul do céu pertinho -
a famosa combinação calça Lee
com camisa Lacoste
do final dos anos 60
- que andamos olhando pro céu,
como soltadores de pipas
nos subúrbios do Rio.
O custo, às vezes,
é tropeçar numa pedra
do meio da estrada e ralar o joelho.
Um algodão com Maravilha resolve.
Na passagem do Ano Novo,
choveu muito.Mesmo.
Ví depois a tragédia das águas
em outras paisagens do sudeste,
como Angra dos Reis e São Luiz do Paraitinga.
No Vale ficamos também prejudicados
por causa da lama
em que se transformou o gramado.
Coisa da Terra, teste pra nossa paciência.
A humanidade estragou o homem,
agora estraga a Natureza. Normal.
Chuva sem frio, chuva reta, de verão,
de lavar as estradas, renovar os rios,
de trocar de ano.Renascer.
Quem pensa que os que vivem
do trabalho na terra
adoram chuva, está enganado.
Chuva é muito necessário,
mas muita chuva causa um estrago tremendo.
O gado não gosta, as terras encharcam,
as madeiras rangem, - quer saber?
Também acham uma bosta.
Eu adoro chuvas de verão, chuvas com calor,
banho delicioso. Sem exagero.
Queria poder desligar.
De noite, na mesma cama em que dormimos
com diversos cobertores no resto do ano,
agora dormimos só com um.
Ou nenhum, o meu caso.
Noites com temperatura perfeita.
Quando o sol abriu, já no segundo dia do ano,
maravilha total.
Natureza enlouquecida, brilhando pro cosmo,
pássaros em êxtase. Que coisa!
Foi numa dessas manhãs
que o José Carlos Mello fez a foto acima,
que cometi a indelicadeza
de publicar antes dele.
Não faz mal, ele tem outras.
Não vou entrar em detalhes da produção
- ele que o faça neste mesmo canal.
Mas não resisti, tive que publicar
depois de chegar ao Rio
no final da tarde de ontem,
com quase quarenta graus à sombra.
Sentei no computador e vieram as contas,
as tragédias, as propinas, os assassinatos,
tudo num calor que me fez suar
mais que noivo gordo
(adoro essa imagem, já usei antes...
Ou era parecida,
o que é a mesma coisa).
Fui dormir com o aparelho de
esfriamento do ar à mil por hora.
Na Internet, o frio congelando
o hemisfério norte,
matando adoidado.
Aqui, um calor de lascar o cano.
Imagino no sertão, onde morei anos atrás.
Galinha tá botando ovo frito.
Acordei e cadê os passarinhos?
Estão todos ali, naquela araucária,
feche os olhos pra ouvir.
Ou olhe para essa foto o resto do ano.

2 comentários:
Imagino como deve ser penoso o abandono do Paraíso...
Por aqui,os meus ossos batem que nem castanholas doidas quando saio de casa...
Um abraço a todos.
Ah, eu também estive neste paraíso no final de semana, mas a realidade voltou cruel com o calorão que está fazendo nesta cidade de S.Sebastião!
Quem quiser trocar comigo de lugar, estou me habilitando. Mas, só serve Europa viu! hehe
bjs cariocas calorentos
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