domingo, 27 de dezembro de 2009

MARMITA DE SOBREVIVÊNCIA

Oi. Bom dia. Dor de cabeça? Não. Sede? Sim, muita, o suficiente para beber a geladeira. Dores? Várias. Arrependimento? Nenhum. A vida é curta. Atenção: abrir olho número 1. Verificar horário: morning? Evening? Temperatura. Chove? Abrir o segundo olho. Ver se tem alguém em volta. De um pulo, sair da cama. correr pro banheiro e... XIXI!!!!! Beleza!Sobrevivi a mais um Natal! São sete e meia da manhã e o hd ainda não terminou o escaner anti-virótico. Não me lembro ainda a que horas fui dormir. Como sempre, saí à francesa, ia apenas ligar o ar condicionado um pouco antes de deitar, para esfriar o meio ambiente. Um calor de fritar bife na testa. E na minha dá pra fazer um churrasco de contra-filé. Mal passado, é claro. Com dois ovos em cima. Um pão quentinho e manteiga. Um copo de leite com os remédinhos e uma cocacola. Café? Daqui a pouco, please. Um jornal primeiro, pra voltar à realidade da selva.
Todo ano é isso: decidir a ceia, o que beber, o que dar de presente... Não que eu não goste de Natal, gosto sim. Gosto de beber com minha gente em volta. Todo ano é uma mistureba etílica e o disseguinte é o pior da vida. Esse 2009, com todas as suas surpresas e discrepâncias, nem foi tão ruim. Não misturei biritas, não comi demais - isso é mentira! Juro que no ano que vem não vou mentir mais sobre isso. Mas foi tudo um pouco leve: um arroz de pato à portuguesa, torta alemã e sorvete de macadâmia. Tá bom assim? Até dispensei a frigideira de bacalhau por razões ecológicas. Nada demais, que uma boa cigarrilha depois não resolva. Só bebi vinho e champanhe rosé, no brinde. Um calor anormal me fez mergulhar no pote de sorvete. O importante é que eu sobrevivi a mais um Natal. Uns dez dias antes dei um passeio num shopping e decidi quais seriam os presentes que daria este ano. E relaxei. No dia 24 fui pro tal shopping às 17 horas - pensei que ficaria aberto até umas 20 horas. Mas todas as lojas fechavam às 18 horas. Sem me abalar, consegui comprar os três presentes, tomar um café expresso e levar ainda uns sapinhos de chocolate. Sem correria, sem neurose, sem culpa nem perdão. Resolvi dez dias antes que sobreviveria ao Natal de 2009. Tenho pela frente a passagem de ano. Vou sobreviver no Vale das Flores, como sempre. Acordarei dia Primeiro de Janeiro com o canto dos passarinhos, o lamento das vacas e o ronco dos bebuns em volta.
Violão no colo, sentado no degrau da varanda, cantarei mais uma vez:
"Gosto aqui
Desse verde assim
Dessa primavera
Que existe em mim..."
Com a Canção do Vale das Flores darei as boas vindas a mais um ano.
Que promete, ora se! Ano de eleição presidencial! Será que o vampiro paulista leva dessa vez? Será que o cara vai conseguir emplacar sua candidata? O torneiro mecânico vai conseguir eleger uma mulher?
Salut!