A Moça do Vestido Rosa - recuso-me a classificar o vestido como curto, acho que a paulicéia ainda não viu nada em matéria de saias curtas - foi expulsa da escola. Maneira tradicional de terminar hipocritamente uma discussão, algo assim como varrer pra debaixo do gramado do Ibirapuera. Ou jogar na Baía de Guanabara aquele sofá indecente. Aquela frase tão admirada e até desejada pela burguesia:- Mandei minha filha estudar na Europa para esquecer aquele namorado mequetrefe!
Os seus colegas universitários, a quem não se deve pedir qualquer ajuda, não sentirão falta de suas pernas ou de seu rebolado ou da democracia. Nada disso. Continuam lutando contra o perigo vermelho. Ou cor de rosa.Mas com certeza, ficarão com saudades de seus olhos verdes.
Em nome da verdadeira Liberdade, apresento aqui a letra do bolero de Nilo Menendez, Adolfo Utrera, versão de João de Barro, sucesso de Gal Costa, que desde os anos ripongos tratou de sensualizar nossa vida, na gravação do Trio Irakitan, para ouvirem em momentos de nostalgia e abstinência da beleza:
Aqueles olhos verdes
Translúcidos serenos
Parecem dois amenos
Pedaços do luar
Mas têm a miragem
Profunda do oceano
E trazem todo o engano
Das procelas do mar
Aqueles olhos verdes
Que inspiram tanta calma
Entraram em minh'alma
Encheram-na de dor
Aqueles olhos tristes
Pegaram-me tristeza
Deixando-me a crueza
De tão infeliz amor
Aquellos ojos verdes
Serenos como un lago
En cuyas quietas aguas
Un día me miré
No saben las tristezas
Que en mi alma han dejado
Aquellos ojos verdes
Que yo nunca besaré
