A Natureza, na impossibilidade de aperfeiçoar a raça humana, que a cada dia se transforma na mais predadora estirpe animal - quanto mais inteligente, mais estúpida, quanto mais saudável mais doente, quanto mais longeva menos valiosa é a sua vida - o que eu dizia mesmo? Calma, tira esse ódio do coração, blogueiro!
Mas uma coisa é certa: essa raça bípede que chuta a Natureza está se especializando em sua própria clonagem, para estoque de peças, como em qualquer oficina. Talvez até deixe de recorrer aos ferros-velhos para procurar um fígado aqui, um rim ali, em bom estado. Um coração pouco rodado é caro, mas vale a pena. Deixemos isso por conta da medicina e seus crediários.
Os compositores antigos recebiam das estrelas um samba canção para acalmar a patroa. Era a tão querida “inspiração”.
O que me inspirou essa postagem, depois de uma longa temporada sem vitórias, quero dizer, sem histórias - perdoe, paciente leitor, ser tricolor hoje em dia dá nessas coisas - foi um PPS.
A senhorita aí, passando baton, falando ao celular e dirigindo ao mesmo tempo, não sabe o que é pps? Coisa de comunista? Já foi, querida. Caiu do muro quebrou a cabeça. Peça ao Lula que inclua nos seus pacs um novo Mobral que ensine essas coisas modernas, como o notebúqui, o bléquebérri, os quatro-por-quatro, besteirinhas que as mulheres amam como amam os homens, sem saber o que é - língua portuguesa? Não precisa mais não, tem tradução simultânea no mundo todo.
O pps em questão, espécie de televisão em quadrinhos que a gente assiste no computador, veio com um monte de fotografias de bebês. Cada um mais lindo que o outro. Cada um mais real do que o outro. Tão reais que deu pra desconfiar. Até os feios são feios! Sem photoshop! E, no final, o segredo: eram bonecos e bonecas. Tão reais que só podem ser filhos de bonecas infláveis! Com todas as vantagens das esposas de plástico, que não enchem o saco (pelo contrário), não tem TPM, não te chamam pelo sobrenome, não falam mal de você no Baixo Bebê ("ele não troca uma fralda quando chega do trabalho! Bem que minha mãe avisou- Não casa com baiano!!!"), não pede pra comprar outro celular igual ao da vizinha gostosona, enfim, essas coisinhas mimosas.
Os bebês infláveis também têm suas qualidades: não choram a noite toda, não fazem coco o dia todo, não te deixam apavorado a cada espirro, não tem refluxo, soluço, engasgo, não choram na hora do jogo. Não crescem, olha que maravilha! Não precisam ir pra escola, não tomam danoninho, não fazem perguntas tipo "como é que eu nasci, papi? Mami mandou te perguntar!" E você não tem que gastar uma fortuna com clube de tênis, camisas de times estrangeiros, relógios de 72 horas, mochilas especiais para cada ocasião, taxi pra buscar nas festinhas dos coleguinhas. Isso começando com os meninos, que deveriam ser mais baratos. Pior do que isso deve ser criar uma menina linda, inteligente, pagar uma fortuna por aulas de balé clássico - as mães exigem, já que não puderam, blablabla - cursos de inglês, francês, espanhol, javanês, chinês, japonês, twittês (vai que ela vira modelo!). Aprendem piano! Gastam a maior grana com o shortinho da vez e vão se acabar no balé funk, voltam falando uma língua que ninguém entende e não saem do celular e da internet nem pra tomar banho. Como se dizia antigamente, "aquela pérola tratada a leite de pato" “o tesouro das famílias, socializou, tá na Lapa e tá no Itanhangá, jogando porrinha e golfe (funk no Ipod!).
Tão beijando e andando! Perdeu, playboy, joga fora essas fotos da Elis Regina aos 18! Cole a Amy Winehouse na porta do armário!
Bebê inflável, se perturbar vai pro lixo. Ou pela janela, como os reais de uns tempos pra cá.
E a humanidade a ver com isso? Nada, talvez tenha colocado no ar a inspiração para produção dessas cópias de sua criação mais maluca e, por isso mesmo, perigosamente apaixonante. Quem sabe as novas gerações não prefiram os enrugadinhos de pvc e deixam de lado essa babaquice de se reproduzir...
