Não havia quem não ficasse amigo de Aline. Jamais esquecerei a noite em que fizemos um sarau em plena praça central de Ubá, foi juntando gente, virou um verdadeiro happening rural, onde ela e Zé Renato deram um show inesperado para os habitantes da cidade, sem amplificação dos nossos instrumentos, sem palco, sem luzes: violões e gargantas maravilhosas.
Algum tempo depois, Aline estava fazendo seu show O Batalhão das Sombras no Rio de Janeiro e o violonista que a acompanhava teve que retirar-se da turnê. Aline ligou para o Mello, que me procurou para saber se poderíamos substitui-lo, o que foi prontamente aceito. O problema é que tínhamos uns 10 dias para aprender as músicas e fazer um show marcado na Penitenciária da rua Frei Caneca, para os presos políticos que ali se encontravam hospedados. Trabalhamos, fizemos o show e foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Não sei se o fotógrafo Wilton Montenegro registrou esse evento - era marido da cantora na época. No show entrou a já citada Perna Curta e o Samba do Campurão, outra parceria com J. C. Mello, gravada depois no disco Aline - Uma Face - Outra Face, cuja capa, também do J.C.Mello, ilustra essa postagem.
Aline também está naquela mesma nuvem da Mercedes Sosa, John Lennon, Tom Jobim, Elis Regina, Caymmi... No céu dos imprescindíveis.

