quinta-feira, 18 de junho de 2009
CARRO NOVO, VIDA VELHA!
Zé Mei foi a Detroit investigar a falência automobilística americana e trouxe esse furo de reportagem para a revista 5RODAS: o novo modelo SIMCA, que fez sucesso aqui no Cunhadão nos anos 60 e agora, com o marketing esportivo a mil por hora, os clubes jogando dinheiro pela janela, os torcedores cada vez mais ceguetas, volta para deleite da torcida rubro-negra. O primeiro modelo da linha, o SIMCA4x2, foi apresentado à torcida recentemente no Recife. Não agradou muito e logo foi atualizado em Curitiba. A tentativa anterior tinha sido o Jangada, que afundou com os vascainos no ano passado e morreu na praia este ano, juntamente com o rubro-nego e o tricolor no grand-prix intitulado Copa do Brasil. Os sentimentais botafoguenses querem devolver o técnico-cantor sertanejo que dirige o time para seus fãs, em Minas Gerais, mas o último sucesso garantiu a permanência do chororô aqui no Rio mesmo. O que será que os clubes do Rio de Janeiro reservam para seus torcedores daqui até o final do ano? Pelo andar da carruagem, vai ser emocionante a luta contra o rebaixamento.
A VIDA COMEÇA AOS SESSENTA

Hoje, aliás, ontem, agora há pouco [acabamos de voltar da pizza], foi o aniversário de sessenta anos da Mazé. Era de se esperar, já que eu que sou filha dela já passei dos trinta... O engraçado é que ela nada se enquadra no estereótipo que costumava ter quando criança de uma vovó de sessenta anos. Naquele tempo, a tal vovó era a Dona Benta do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Senhorinha de cabeça branquinha, bem matrona, andando devagarzinho, limpando a mão no avental, e colocando uma torta no forno. Quase enlouquecendo com as reinações dos netos. Acho que a minha vovó Cida se parecia um pouco, não muito, com essa descrição quando tinha seus sessenta anos. E a gente ficava imaginando que ia ser assim sempre.
O que acontece é que com toda a evolução tecnológica, da medicina e todo o acesso a informação, o ser humano tem vivido cada vez mais e melhor. E as pessoas mantem-se jovens por muito mais tempo. Na Grécia Antiga, a perspectiva de vida de um cidadão era em média de quarenta anos, aos trinta e cinco já era considerado um idoso... [Vê se pode?] O resultado é que se tinha uma pressa danada de realizar alguma coisa o mais cedo possível, e deixar seu nome marcado na história! Só que a pressa é inimiga da perfeição. Nunca em época alguma se viveu tanto tempo, nem se trabalhou até tão tarde quanto nos dias de hoje.
A tendência é que as pessoas vivam cada vez mais. Do jeito que a ciência avança, cada vez mais as pessoas passarão dos 100 anos, e com qualidade de vida! E essas pessoas se manterão produtivas e criativas até perto desses 100 anos. Como o Niemeyer, grande precursor das próximas gerações.
Mamãe fez sessenta e não tem nada a ver com aquele tal estereótipo [tirando uma ou outra caretice crônica, mas isso não conta...]. Vovó sim, de um rapazinho de onze anos, ela é o que se pode chamar de vovó gatinha. Trabalha, dá aula pra um monte de marmanjos da Universidade da Força Aérea, prepara suas aulas em power point [é! não tem medo de computador!], ganha prêmio no final do ano como melhor professora, ainda tem pique pra encarar um doutorado. Faz hidroginástica, se veste sempre na moda, e dirige o carrinho dela pra cima e pra baixo. Nas temporadas de shows do Escambo ela não perdeu nenhuma apresentação, inaugurando o estilo "Sogra-tiete". Chegava lá sozinha, lá pelas tantas se enturmava, tomava suas duas tacinhas de vinho e depois do show ia embora torcendo pra não ser pega pela Lei Seca.
Afinal, na faixa dos sessenta anos, onde a mamãe acabou de entrar, já estão Chico, Caetano, Gil entre outros grandes [a galera da geracão que não confiava em ninguém com mais de 30 anos]. Todos muito criativos e produtivos obrigada . Com muito gás e muito folêgo pra produzir, tomara até bem mais de 100 anos. Afinal sonhos não envelhecem. Parabéns Mazé!
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