
Uma vez por ano as bucólicas ruas de pé-de-moleque, o cenário pré-colonial de portas e janelas coloridas e o cheiro de Dama-da-Noite de Paraty recebem calorosamente a Festa Literária de Parati [com I pelo que eu li, apesar das contradições em cartazes com Y, diferente do nome da cidade, o nome da festa é um trocadilho para ti]. É uma verdadeira celebração à palavra escrita. Como definiu nossa vizinha de pousada a @samegui, é um oásis de leitores. A cidade se enfeita e se prepara pra receber uma multidão de gente ávida por livros [ou ao menos ávida por parecer ávida...]. E é uma festa linda! Um clima bom, astral bom e muita coisa interessante acontecendo ao mesmo tempo e sempre. Uma sensação de comungar com todo tipo de novidade cultural, todo tipo de gente interessada em arte, cultura e boêmia...
Críticas à parte: em relação a falhas na organização; à truculência dos fiscais do evento que estavam apreendendo livros dos autores independentes que tentavam pegar uma carona no clima literário e na demanda do público por novidades, e tiveram seu trabalho confiscado [http://www.logorreia.com.br/?p=113]; aos comerciantes inescrupulosos que resolvem se aproveitar do burburinho da festa e da euforia do pessoal para superfaturar contas e deixar a desejar nos serviços.
É que a festa talvez tenha crescido um pouco demais pro tamanho e estrutura da cidade. Esse ano foram 25 mil pessoas. Aos próprios organizadores assusta esse gigantismo do evento. Talvez a cidade não comporte um inchamento tão grande. O problema é que mesmo assim, quem vai jura que volta no ano seguinte…
Porque é mesmo muito bom ouvir os debates, descobrir novos autores, redescobrir outros…
Elejo aqui alguns pontos altos [que vi ou que ouvi a respeito]:
• A homenagem a Manoel Bandeira [obs pos-postagem: Francis e Olivia Hime apresentaram um show homenagem belíssimo, apesar do piano de brinquedo]
• A presença onipresente [com ou sem fiscais] dos artistas anônimos, tocando, interpretando, posando e divertindo muito: Jack Sparrow, Merlin, Cristo Redentor, Don Quixote, músicos, desenhistas, pintores, artesãos e demais autores marginais… [mesmo que a “organização” se incomode, eles fazem a festa!]
• A mesa do Chico Buarque e do Milton Hatoum [não assisti muitas mesas pra julgar, li que a do Lobo Antunes foi imperdível, também ouvi muitos elogios a mesa do Gay Talese e fiquei curiosa para ter visto a mesa do Richard Dawkins. Assisti a mesa do Mario Bellatin e não achei nada demais, apesar dele ter uma prótese em forma de falo na mão direita… A do Chico Buarque e do Milton Hatoum era a mais esperada, a mais cheia e fez jus a fama. Eles esbanjaram simpatia, descontração e humor…]
• A Flipinha - agradou crianças e adultos, com destaque pra oficina de cordel.
• A FlipZona - apesar de não ter visto a programação, a iniciativa é ótima e o espaço estava incrível.
• Off Flip – Com eventos paralelos muito interessantes, acaba também compensando um pouco a celebrização às figuras famosas e promove debates, saraus e concursos. Queria também ter participado mais, é bem acessível.
• Twitter, twitters e tweitts – um fenômeno desse ano era a quantidade de gente que twittava o tempo todo. Confesso que até eu. Exageros à parte [tinha gente parecendo turista japonês em museu] foi divertido, aposto como foi uma cobertura bastante inusitada, com comentários pessoais em tempo real, de forma espontânea.
Pérolas da # Flip2009 [twittadas ou entreouvidas por aí]
“Eu quero um Red Label. Diz aqui que é para 8 anos, eu já tenho 11 então eu posso” [João -11 anos]
“O que é Rigatone? É um Ring tone italiano?” [João – 11 anos]
“Maior ressaca. Acho que me excedi nos livros ontem” [Hélio De La Peña - Twitter]
“Escrever é corrigir e reescrever”[Lobo Antunes]
"Para não serdes os martirizados e escravos do tempo/ embriagai-vos sem tréguas/ de vinho, de poesia ou de virtudes/ como achardes melhor". [Bodelaire – citado por Eduardo Tornagui]
“Numa orgia é possível ficar entediado” [Gay Talese]
“ As pessoas comuns podem ser extraordinárias se você as conhece bem” [Gay Talese]
“Eu escrevo para me livrar de mim mesma” [Catherine Millet]
“Covardia. Chico começou lendo trecho de Leite Derramado, com seguinte diálogo: fode eu... enraba eu, negão!” [Marcelo Tas - Twitter]
“A imaginacão já não existe mais, agora tudo está no Google” [Chico Buarque]
“Escrever é uma chatice, eu gosto de ler.”[Chico Buarque]
“Chico, prepare a munheca, plateia se levanta antes de acabar e corre pra fila de autografos” [Marcelo Tas]
Efeito Flip: A gente sempre acaba comprando mais livros do que vai conseguir ler…
Ano que vem tem mais! #FLIP2010

2 comentários:
Grande Drica, escrevemos quase na mesma hora! Ainda estou puto com as coisas, não consegui relaxar ainda. Mas tinha que começar a botar pra fora.
Gerson
Dessa vez eu comprei alguns livros para dar de presente e apenas um para mim, o do Alex Ross - O Resto é Ruído, uma das poucas palestras de que gostei, das poucas que vi.
Gerson
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