terça-feira, 7 de julho de 2009

FLIP 2009 #3



Uma vez por ano as bucólicas ruas de pé-de-moleque, o cenário pré-colonial de portas e janelas coloridas e o cheiro de Dama-da-Noite de Paraty recebem calorosamente a Festa Literária de Parati [com I pelo que eu li, apesar das contradições em cartazes com Y, diferente do  nome da cidade, o nome da festa é um trocadilho para ti]. É uma verdadeira celebração à palavra escrita. Como definiu nossa vizinha de pousada a @samegui, é um oásis de leitores. A cidade se enfeita e se prepara pra receber uma multidão de gente ávida por livros [ou ao menos ávida por parecer ávida...]. E é uma festa linda! Um clima bom, astral bom e muita coisa interessante acontecendo ao mesmo tempo e sempre. Uma sensação de comungar com todo tipo de novidade cultural, todo tipo de gente interessada em arte, cultura e boêmia... 

Críticas à parte: em relação a falhas na organização; à truculência dos fiscais do evento que estavam apreendendo livros dos autores independentes que tentavam pegar uma carona no clima literário e na demanda do público por novidades, e tiveram seu trabalho confiscado [http://www.logorreia.com.br/?p=113]; aos comerciantes inescrupulosos que resolvem se aproveitar do burburinho da festa e da euforia do pessoal para superfaturar contas e deixar a desejar nos serviços. 

É que a festa talvez tenha crescido um pouco demais pro tamanho e estrutura da cidade. Esse ano foram 25 mil pessoas. Aos próprios organizadores assusta esse gigantismo do evento. Talvez a cidade não comporte um inchamento tão grande. O problema é que mesmo assim, quem vai jura que volta no ano seguinte… 

Porque é mesmo muito bom ouvir os debates, descobrir novos autores, redescobrir outros… 

Elejo aqui alguns pontos altos [que vi ou que ouvi a respeito]: 

• A homenagem a Manoel Bandeira [obs pos-postagem: Francis e Olivia Hime apresentaram um show homenagem belíssimo, apesar do piano de brinquedo]

• A presença onipresente [com ou sem fiscais] dos artistas anônimos, tocando, interpretando, posando e divertindo muito: Jack Sparrow, Merlin, Cristo Redentor, Don Quixote, músicos, desenhistas, pintores, artesãos e demais autores marginais… [mesmo que a “organização” se incomode, eles fazem a festa!] 

• A mesa do Chico Buarque e do Milton Hatoum  [não assisti muitas mesas pra julgar, li que a do Lobo Antunes foi imperdível, também ouvi muitos elogios a mesa do Gay Talese e fiquei curiosa para ter visto a mesa do Richard Dawkins. Assisti a mesa do Mario Bellatin e não achei nada demais, apesar dele ter uma prótese em forma de falo na mão direita… A do Chico Buarque e do Milton Hatoum era a mais esperada, a mais cheia e fez jus a fama. Eles esbanjaram simpatia, descontração e humor…] 

• A Flipinha - agradou crianças e adultos, com destaque pra oficina de cordel.

• A FlipZona - apesar de não ter visto a programação, a iniciativa é ótima e o espaço estava incrível.

• Off Flip – Com eventos paralelos muito interessantes, acaba também compensando um pouco a celebrização às figuras famosas e promove debates, saraus e concursos. Queria também ter participado mais, é bem acessível. 

• Twitter, twitters e tweitts – um fenômeno desse ano era a quantidade de gente que twittava o tempo todo. Confesso que até eu. Exageros à parte [tinha gente parecendo turista japonês em museu] foi divertido, aposto como foi uma cobertura bastante inusitada, com comentários pessoais em tempo real,  de forma espontânea. 

Pérolas da # Flip2009 [twittadas ou entreouvidas por aí] 

“Eu quero um Red Label. Diz aqui que é para 8 anos, eu já tenho 11 então eu posso” [João -11 anos] 

“O que é Rigatone? É um Ring tone italiano?” [João – 11 anos] 

“Maior ressaca. Acho que me excedi nos livros ontem” [Hélio De La Peña - Twitter] 

 “Escrever é corrigir e reescrever”[Lobo Antunes] 

"Para não serdes os martirizados e escravos do tempo/ embriagai-vos sem tréguas/ de vinho, de poesia ou de virtudes/ como achardes melhor". [Bodelaire – citado por Eduardo Tornagui]

 “Para mim a #Flip2009 evidenciou média cultura e alto grau de euísmo literário”[ YO_HOY – Twitter] 

“Numa orgia é possível ficar entediado” [Gay Talese] 

“ As pessoas comuns podem ser extraordinárias se você as conhece bem” [Gay Talese] 

“Eu escrevo para me livrar de mim mesma” [Catherine Millet] 

“Covardia. Chico começou lendo trecho de Leite Derramado, com seguinte diálogo: fode eu... enraba eu, negão!” [Marcelo Tas - Twitter] 

“A imaginacão já não existe mais, agora tudo está no Google” [Chico Buarque] 

Escrever é uma chatice, eu gosto de ler.”[Chico Buarque] 

Chico, prepare a munheca, plateia se levanta antes de acabar e corre pra fila de autografos” [Marcelo Tas] 


Efeito Flip: A gente sempre acaba comprando mais livros do que vai conseguir ler…

 

Ano que vem tem mais!  #FLIP2010

2 comentários:

Gerson Deslandes disse...

Grande Drica, escrevemos quase na mesma hora! Ainda estou puto com as coisas, não consegui relaxar ainda. Mas tinha que começar a botar pra fora.
Gerson

Gerson Deslandes disse...

Dessa vez eu comprei alguns livros para dar de presente e apenas um para mim, o do Alex Ross - O Resto é Ruído, uma das poucas palestras de que gostei, das poucas que vi.
Gerson