quarta-feira, 8 de julho de 2009

Enfim do lado certo

A quartelada do último domingo de junho que depõs o presidente de Honduras Manuel Zelaya foi pedagógica em relação a como serão as relações do EUA com a América Latina daqui pra frente, ou pelo menos durante os anos que Barack Obama for presidente, e trás boas expectativas.

O governo americano foi rápido em condenar o golpe militar, em suspender a ajuda financeira a Honduras, como forma de pressionar os golpistas a devolver o cargo usurpado, ao Presidente legítimo, bem como aderiu à condenção unânime ao golpe feita tanto pela OEA quanto pela ONU e ainda rapidamente promoveu um encontro do presidente deposto com a Secretária de Estado Hillary Clinton, além de enviar uma missão à Honduras para negociar a devolução do poder a Zelaya, que o presidente golpista se recusou a receber.

A rápida movimentação do governo de Barack Obama teve dois objetivos, o primeiro e mais claro é reafirmar a liderança americana no hemisfério e isolar Hugo Chávez, que com o dinheiro do petróleo, discurso populista, e contando com a inércia e conivência da politca externa desastrosa do Brasil, compra apoio à sua Iniciativa Bolivariana, seja lá o que quer dizer isso.

Zelaya era mais um aliado de última hora de Hugo Chávez, e seguindo o script do Comandante rasgou a Constituição e convocou um plebiscito para legitimar sua tentativa de se perpetuar no poderatravés de indefinidas reeleições, como fez Evo Morales na Bolívia, Rafael Corrrea no Equador e o próprio Chávez.

Os EUA tomaram a frente tanto na condenação ao golpe, quanto nas tentativas de se estabelecer uma negociação que possibilite a restauração da ordem democrática, que por iniciativa dos EUA será mediada pelo Presidente da Costa Rica, como forma de limitara ascendência de Chavez aos governos da América Central.

A tentativa de Chávez de diálogo, através de seus fiéis aliados Cristina Kirchner e Rafael Correa sequer foi recebida pelo Governo de Honduras.

Assim, Chávez fica com seu discurso anti-americano esvaziado e vê que influência internacional não se compra, porque nem todo mundo é igual a Fidel Castro, que se vende por qualquer tostão, desde que ele venha embalado no discurso da tal Socialismo do século XXI.

O outro objetivo de Brack Obama é expurgar o passado nada cor-de-rosa dos EUA na América Latina, no qual apoiaram golpes contra governos legítimos; orqustraram outros que supostamente contrariavam interesses, na maioria das vezes, escusos de suas empresas e financiaram ditaduras cruéis. Os Democratas, os americanos claro, não os do Brasil, se envergonham deste passado. Bill Clinton em sua biografia diz que: "quando apoiamos golpes e ditaduras tivemos o tratamento que merecemos pelo povo dos páises latino-americanos". A pressão internacional pela democratização do hemisfério cresceu com a eleição de Jimmy Carter, o primeiro democrata eleito desde John Kennedy. Assim, além de se alinhar com os ideais de seu partido , Obama sabe que este comportamento reduz a influencia a faz com que qualquer ação americana em relação aos seus vizinhos ao sul de Rio Grande seja vista com desconfiança, como foi o caso da ALCA, torpeada por Chávez, Lula e Kirchner.

Portanto, Barack Obama foi estratégico e olhou para o seu umbigo na sua condenação ao golpe de Honduras, mas não deixa de ser auspicioso ver os EUA condenarem um golpe que derrubou um aliado de um "inimigo" seu, mas que era legítimo representante do povo. Que continuem andando do lado certo daqui para frente.

3 comentários:

Gerson Deslandes disse...

O difícil é achar algum lado certo nessa história. O que Obana não quer é perder o controle político na América Central e Caribe, mesmo que para isso tenha que apoiar um golpista bolivariano. Recolocá-lo no poder é mante-lo sob controle sem precisar voltar à política golpista dos anos 60, que colocou ditaduras militares em toda a América Central e do Sul. Bush perdeu a América do Sul e Obama não quer perder o pouco que herdou...

Gerson Deslandes disse...

Mas acho que ele só esta com essa estratégia porque um novo governo anti-democratico é uma aventura que ninguém sabe onde vai dar. Pelo que estou percebendo, o atual presidente não é flor que se cheire...

renatofrazão disse...

O deputado debilóide Jair Bolsonaro apoiou o golpe militar em honduras. Como sou contra qualquer coisa que esse cara disser, ficou fácil escolher um lado.