
O poder criativo desse povo varonil não descansa. Depois de inventar o futevôlei, o vôlei de praia, o cuspe à distância e as mais divertidas ou estranhas modalidades esportivas, somos agora os campeões mundiais de futebol na lama. O time do Senado, comandado pela terceira vez pelo técnico Syr Ney, patrocinado pelo povo brasileiro através do Tesouro Nacional, conseguiu o impossível: derrotar o time da Câmara dos Deputados, que, num golpe de gênio tentou contratar o técnico Dalai Lama, que recusou o cargo por incompatibilidade ideológica: considerou a proposta um negócio da China, que também costuma massacrar as torcidas adversárias.
O Senado pretende construir um estádio para 10 mil familiares. A concorrência pública foi cancelada porque nenhuma construtora cobrou o mínimo necessário estipulado pela Diretoria de Engenharia, Águas, Terras e Esgotos, que tem 7.950 funcionários só para impedir que as merdas venham à tona.
Como não comparecem ao Congresso, o Senado teve que terceirizar o trabalho braçal de misturar a lama para que as trapaças treinadas não sejam percebidas pelos adversários.
A partida final do Campeonato Mundial de Futebol na Lama Parlamentar foi emocionante, com o juiz Lulinácio da Silva deixando a bola correr e as mamatas se sucedendo em vertiginosa velocidade. Como o juiz não marcava nada, os dois times mostraram toda a sua arte em negociatas, subornos, tráficos de influência, nepotismo e malversação poética da verba e patrimônio público. Como todos conseguiram levar vantagem, o jogo terminou empatado e foi para os pênaltis. O time do Senado bateu o primeiro e o juiz terminou a disputa, alegando precisar do apoio do seu técnico para continuar no cargo, pois o Mano estava muito bem no Curíntcha. A bancada dos deputados reclamou, pois tinha comprado o goleiro adversário com as sobras do caixa dois, dando mole à ironia do técnico do senado, que declarou à sua TV particular:
- Não se compra jogador de primeiro mandato, nem juiz de primeira partida!
Depois da lavagem de dinheiro, os atletas foram descansar em Paris, que ninguém é de ferro, nem de gás nem de petróleo.
Uma jogadora do time feminino de Futebol de Lama Parlamentar,
matando no peito um repasse de verbas.



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